Inovação, Legislação, Tecnologia

Richard Susskind fala sobre o futuro do mercado jurídico

Um dos maiores nomes do mercado jurídico esteve no Brasil pela primeira vez, para participar da 2ª Conferência Internacional de Governança da Informação para o Mercado Jurídico. Ao longo de seus 30 anos de carreira, Susskind vem discutindo sobre o futuro desta profissão e os impactos da tecnologia e da inovação no Direito.

Para ele, é preciso reformular o formato de trabalho e trazer meios mais eficientes e baratos para ter resultados ainda melhores – justamente de acordo com as necessidades do cliente. Neste contexto, o mercado jurídico possui três fatores de mudança que podem transformar o mercado.

Mais por menos

Para Susskind, o desafio é ter uma equipe enxuta, mesmo com o aumento de serviço. Ele explica que a solução é criar uma estratégia que permita manter a eficiência e aumentar a colaboração. “Se os advogados não podem ser mais eficientes, eles podem trabalhar em conjunto”, explica.

Richard também afirma que a divisão das tarefas é o melhor caminho para a redução de custos e aumento da eficiência do advogado. “Há várias tarefas no dia a dia do advogado que podem ser realizadas por outros profissionais. Já é possível segmentar o trabalho legal”, explica.

Novos fornecedores

Já existem empresas que oferecem de forma inovadora alguns serviços que antes eram exclusivos dos escritórios. Susskind cita como exemplo as big four, formadas pelas consultorias PwC, Deloitte, EY e KPMG. Além delas, as lawtechs também estão trazendo uma nova forma de trabalhar os serviços jurídicos, oferecendo mais agilidade na resolução de tarefas.

Tecnologia

Esse é o grande motivo para a transformação de todo o mercado. Mesmo com a tradição legal, não é mais possível excluir a possibilidade de modificar o Direito. Susskind diz que, como não há linha de chegada para os avanços da tecnologia, os advogados não podem mais fechar os olhos para esta transformação.

“Se olharmos 30 ou 40 anos para trás e 30 ou 40 anos para frente, a inteligência artificial e tecnologias relativas terão, de fato, substituído uma grande parte dos empregos. Isso aumenta uma série de questionamentos da sociedade sobre quem é dono e controla os sistemas. Para ser claro: há muito a ser feito dentro dos próximos 10 anos, mas precisamos ter muitas análises políticas, sociais e econômicas sobre um mundo que terá menos postos de trabalho no futuro”, completa.

Formação de novos profissionais

Com uma renovação constante das formas de executar tarefas jurídicas e a disrupção de um mercado tão tradicional, como fica a formação dos novos advogados?

Susskind afirma que as universidades ainda estão formando advogados do século passado, e que é preciso atualizar o formato de ensino se quisermos que o mercado jurídico passe por uma verdadeira transformação.

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