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Especialistas

A importância da linguagem não verbal nos Departamentos Jurídicos

Por: Benedito Villela*

Ao se falar de um advogado, a primeira imagem que vem à mente é sempre de um homem de terno e gravata, ou mesmo de uma mulher com um terninho ou tailleur, salto e afins, ambos muito arrumados. Essa concepção prévia faz parte do que chamamos de linguagem não verbal.

Define a professora em Letras Daniela Diana: “linguagem verbal é aquela expressa por meio de palavras escritas ou falada, ou seja, a linguagem verbalizada, enquanto a linguagem não- verbal, utiliza dos signos visuais para ser efetivada, por exemplo, as imagens nas placas e as cores na sinalização de trânsito. As duas modalidades são muito importantes e utilizadas no dia-a-dia, no entanto, a linguagem verbal é a mais empregada, por exemplo, quando escrevemos um e-mail, utilizamos a linguagem verbal, expressa pela escrita; ou quando observamos as cores do semáforo, expressa pela linguagem visual (não-verbal).” E como isso se aplica ao Departamento Jurídico de uma empresa?

O curso de Direito segue uma tradição centenária e por isso acaba valorizando acima de tudo a manifestação escrita, ou, para fins de comunicação, a linguagem verbal. E com isso, o Direito se distancia das outras matérias, especialmente ao evocar uma teoria que defende o corte do Direito em relação às outras matérias, o chamado “corte epistemológico”, proposto por Hans Kelsen. Só que enquanto as outras ciências evoluem de forma rápida e dinâmica, o Direito se arrasta, prejudicando a formação dos operadores do Direito, sendo que muitos ainda se acham Doutores, ainda que no mercado o espaço para os “Doutores do Direito” esteja cada vez menor.

Com isso, se torna extremamente importante o advogado corporativo investir para aprender técnicas de comunicação não-verbais na sua relação e no seu trato cotidiano, especialmente quando for se relacionar com pessoas que sejam leigas no Direito. E uma das principais formas acaba sendo a própria vestimenta.

Uma experiência quase sociológica foi deixar de lado o terno e a gravata e utilizar o mesmo tipo de vestimenta utilizado pela maioria da empresa, muito casual, durante 3 meses. Isso fez o jurídico deixar de ser evitado para passar a ser visto como parte da empresa. E com isso, passar a ser envolvido nas decisões. O que mudou no conhecimento profissional? Nada. Após esse período, até a vestimenta podia voltar ao que era, mas foi achado o meio termo, com a gravata de lado. Não à toa cada vez mais surgem grupos fora das faculdades cultuando habilidades interpessoais e de matérias não jurídicas.

Outras ferramentas de linguagem não verbal úteis dentro do departamento jurídico de uma empresa: a postura do profissional do direito, seja com uma feição sempre sisuda ou leve e convidativa à interações, a decoração da sala, mesa ou estação de trabalho, os acessórios utilizados (pasta, mochila). Para entrar no campo técnico, podem ser citados os sons que não integram o vocabulário, entonação da voz e até cadência do discurso (paralinguagem); uso do espaço entre os interlocutores (proxêmica), linguagem corporal (cinésica). Essas seriam as principais categorias de comunicação não verbal.

Com essa breve reflexão, fica o convite para cada advogado corporativo rever não o seu discurso, mas o que seu corpo, suas expressões, gestos e maneirismos estão passando para os colegas e como isso pode ser melhorado em prol de um melhor ambiente de trabalho.  

*Benedito Villela é Gestor Jurídico, Professor e Palestrante. Quer conhecer mais artigos? Acesse https://www.falandolegal.org/.

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