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Gestão de departamento jurídico - lições do xadrez

Funcionamento do departamento jurídico: o que podemos aprender com o xadrez

Por: Victor Bastos*

Tenho refletido ultimamente sobre o funcionamento do departamento jurídico dentro das instituições. Cada vez mais se busca inserir o jurídico como um ator estratégico e não um setor hermético e isolado. Mas como deve funcionar esse departamento? Fui buscar respostas no xadrez, jogo que gosto muito e que meus filhos estudam na escola (deveria ser disciplina obrigatória em todos os níveis de ensino)

Do que é composto um departamento jurídico? De peças que desempenham diferentes papéis, mas que devem unir seus esforços para o mesmo objetivo. E no xadrez? Temos a rainha, bispo, torre, cavalo e os peões, todos com o mesmo propósito, que é proteger o rei. O rei nada mais é do que a própria instituição e não deve ser personificado em uma pessoa. O rei não é o gestor jurídico, muito menos o CEO. O rei é a instituição e sua missão.

As demais peças do xadrez encaixam-se perfeitamente no departamento jurídico. Podemos dizer que o gestor jurídico é a rainha? Ledo engano. A rainha é muito relevante, pois pode se locomover para todos os lados, mas não possui o atributo do cavalo, que é saltar por cima das peças adversárias. Certamente temos na equipe aquele que possui o dom de saltar por cima das adversidades e cumprir sua missão.

Temos membros que se equiparam a uma torre, que tem o poder de atravessar o tabuleiro inteiro e chegar a todos os departamentos da instituição? Pode até ser, mas tem horas que é necessário ser um bispo, andando em diagonal e cortando caminho. Fundamental não?

E os peões? Esse exército de 8 abnegados que possuem o papel de abrir caminho no território do adversário. Querer comparar com os aprendizes, estagiários e auxiliares será um grande erro, não façam isso. Todos os membros do departamento podem ser peões, pois tem momentos em que devemos enfrentar de peito aberto as adversidades, cientes de que se chegarmos até o outro lado do tabuleiro podemos nos transformar na peça que quisermos.

Além disso, não devemos confundir responsabilidade com importância. É natural o gestor jurídico ter mais responsabilidades, mas sozinho a única coisa que ele consegue fazer é almoçar, pois resultado mesmo será zero.

Mas o xadrez é composto por 2 exércitos. E as peças adversárias, o que seriam perante o departamento jurídico? Exatamente aquilo que pode derrotá-lo!

Sentir-se o departamento mais importante da empresa, aquele que possui o dom divino de dizer sim ou não e todos devem obedecer cegamente. Acreditar que sua tarefa é mais relevante do que as demais, então cabem aos outros apenas aceitar a sua recomendação, que se confunde com imposição.

Esquecer que a área comercial por exemplo também é fundamental, pois se não vender, nenhuma empresa é sustentável (sempre se referindo a negócios lícitos, obviamente). Olvidar que as áreas financeira e contábil exercem papel de extrema relevância, pois a gestão adequada da receita e do orçamento, por exemplo, podem garantir a saúde e perenidade da instituição.

Ignorar que as áreas de suporte não atendem somente ao Jurídico (também uma área de suporte, sem nenhum demérito nisso) mas a todos os clientes internos e muitas vezes externos). Não lembrar que quando se pede um contrato ao Jurídico, tão importante quanto o conteúdo é o prazo, pois do lado de lá existe um negócio prestes a ser fechado ou uma operação que pode ser paralisada.

E por fim, aquele vírus perigosíssimo, que é acreditar que alguém pode ser maior do que a área em si ou até da própria empresa. É o lado negativo da vaidade, que pode ter um efeito devastador.

Mas como se ganha o jogo de xadrez? Derrotando o adversário e sendo o vencedor no tabuleiro. E o departamento jurídico vencedor? É aquele que protege o seu rei e cumpre o seu papel, junto com os demais, coletivamente. Enfim, a vitória do departamento jurídico nada mais é do que a vitória da instituição! Vida longa ao rei e toda sua equipe, composta por rainhas, bispos, cavalos, torres e peões, todos igualmente importantes e co-autores do sucesso!

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Victor Linhares Bastos é Gerente Jurídico da Editora FTD/Grupo Marista, co-fundador do #Jurtech e membro do Jurídico Sem Gravata. Palestrante sobre temas de gestão, inovação, tecnologia e eficiência.

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