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Efeito Dunning-Krüger

O Efeito Dunning-Kruger na Advocacia e o necessário embasamento ao propagar informações

A liberdade dos indivíduos opinarem sobre qualquer assunto nas redes sociais levou ao surgimento de alguns fenômenos, a exemplo do Efeito Dunning-Krüger. Saiba mais sobre isso.

Por Cindia Regina Moraca*

Na era digital, onde a quantidade de informações compartilhadas é imensurável, filtrar o que é relevante e tem fundamento é tarefa árdua, mas necessária.

Sem dúvida, há muito conteúdo útil na internet, contudo, especialmente na advocacia, nem todos estão legitimados ou têm conhecimento aprofundado para falar com convicção educativa, ainda que as plataformas digitais tenham voz a todas as manifestações.

Na prática, a liberdade dos indivíduos opinarem sobre qualquer assunto nas redes sociais, muita vez se posicionando como referência em determinados assuntos, levou ao surgimento de alguns fenômenos, a exemplo do Efeito Dunning-Krüger.

Descoberto pelos pesquisadores americanos David Dunning e Justin Kruger, este fenômeno é uma distorção de pensamento em que pessoas tolas ou incompetentes ultra valorizam suas experiências e habilidades, imbuindo-se de uma superioridade ilusória onde, quanto menos a pessoa sabe, mais ela acredita que pode se manifestar, e, geralmente o faz apenas lendo posts nas redes sociais, assistindo vídeos rápidos sem muito embasamento e, com isso, sentem-se prontas a compartilhar “conhecimento”.

Estudos comprovam que, “embora tenha memorizado os passos, você não aprenderá realmente a fazer algo até que pratique", segundo Ed O'Brien, professor de Ciência da Conduta da Escola de Negócios da Universidade de Chicago. Isso significa dizer que, ver como outros fazem seu trabalho nos dá uma "ilusão de capacidade" e aumenta nossa confiança, ainda que sejamos ignorantes sobre determinado assunto.

Trazendo para a esfera da advocacia, temos visto isso acontecer de forma escalonada no construção da imagem profissional, especialmente nas mídias sociais, onde advogadas e advogados sentem a necessidade de se posicionar, compartilhando sua opinião sobre decisões, fatos e casos, sem ter todos os dados ou sem ser especialista naquela matéria, correndo o risco de repassar informações erradas à sua audiência.

Por óbvio, temos profissionais idôneos e competentes compartilhando dados relevantes, ainda que alguns até deixem de fazê-lo pelo assédio dos haters ou pela preguiça de argumentar com pessoas agressivas, que desvirtuam o assunto ou que se consideram os “donos da verdade”.

Em tempos de maciça comunicação on line, é fundamental preservar a reputação digital e ter responsabilidade social ao compartilhar conhecimento nas redes socais, assegurando a veracidade e a qualidade do conteúdo propagado, investindo em capacitação e distanciando-se dos efeitos do fenômeno Dunning-Kruger.


*Cindia Regina Moraca é Advogada Civilista e Familiarista, Pesquisadora especialista em Reputação Digital e Marketing Jurídico. Presidente da Comissão Especial de Direito das Artes da OABSP, Coordenadora de Mídias Sociais do Movimento Mulheres com Direito. 

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