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A protagonização do advogado associado na gestão das equipes em escritórios de advocacia

Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Com essa frase, adaptação do pensamento de Auguste Comte, o Homem Aranha é alertado por seu tio, no início da popular saga em quadrinhos, de que deveria medir o alcance de seus atos como super-herói.

O ensinamento transcende as fronteiras do mundo fantástico para encontrar aderência no ambiente corporativo. A delegação de autoridade (poder) no âmbito das organizações empresariais produz, invariavelmente, o maior engajamento dos colaboradores. Denomina-se comumente como “empoderamento” tal delegação de poder. Preferimos chamar de protagonização dos profissionais.

Por meio da protagonização, a autonomia dos colaboradores de uma empresa é estimulada, de modo que uma quantidade maior de agentes passa a funcionar como centro de tomada de decisão. Os processos tornam-se mais céleres e a apropriação de ônus e bônus pelos resultados tornam-se mais evidentes.

Na advocacia, a protagonização ainda não ganhou profusão. A gestão das equipes de profissionais é, em regra, hierarquizada e com pouca margem de autonomia. Isso se deve, em parte, à personalização da prestação do serviço, muitas vezes exigida pelo cliente do titular da sociedade de advogados. Por razões práticas, a personalização acaba se transmitindo do atendimento ao cliente à execução dos casos.

Todavia, em vista da atenção a detalhes que casos jurídicos de alta complexidade costumam ter, não é incomum que o próprio advogado titular do caso compartilhe com outros advogados de sua equipe a responsabilidade por partes ou pontos específicos. Tal forma de atuar permite, além de uma dupla checagem dos caminhos e soluções adotados, que o cliente tenha mais de um “arquivo vivo” de seu caso jurídico. Temos inúmeros casos em que a passagem parcial do bastão foi digna de nota e de elogios pelo próprio cliente.

A forma de divisão de trabalhos é o passo que antecede a protagonização. Deve haver clareza por parte de quem delega para que haja comprometimento e entrega por parte do delegado.

Os responsáveis pelas tarefas delegadas passam a ser senhores de tais tarefas. Da porta para dentro, o advogado que pesquisou a jurisprudência é o último responsável pelo rigor do precedente utilizado como argumento de convencimento e o estagiário que alimenta um relatório é o responsável pela acuidade do status do caso transmitido ao cliente.

O sócio ou titular do caso deixa de reavaliar cada um desses pontos, depositando absoluta confiança nos membros de sua equipe. Se um elo dessa cadeia falha, a prestação como um todo falhará. Estando cada membro da equipe ciente deste fato, todos se sentem responsáveis pelos resultados e passam a se esmerar pelo que fazem.

A construção dessa corrente de confiança, entretanto, não é abrupta. Deve-se criar as condições para que ela prospere. Capacitação e sistematização do trabalho são os principais requisitos da protagonização.

Em relação à capacitação, cada profissional deve ser treinado para dominar as ferramentas que irá controlar. Deve-se introduzir o profissional, de modo tutelado, às variáveis fundamentais que ele ou ela passará a observar.  Tal introdução deve expor o profissional à possibilidade de errar. O monitoramento dos erros e acertos antes de lançar o profissional ao status de repositório final sobre um assunto é a peça chave do processo de treinamento.

Recomenda-se que os responsáveis pelo treinamento, um profissional mais experiente, trabalhem pelo período mínimo de um semestre analisando minuciosamente toda e qualquer resposta apresentada pelo tutelado. O monitoramento das respostas deve ser feito de forma objetiva pelo avaliador, avaliando cada ato praticado, por mais simples que este possa parecer, e.g. realização de um protocolo. Durante o semestre o avaliador e avaliado devem conversar de forma objetiva e direta sobre cada desentendimento sobre os trabalhos produzidos e, ao final, sendo a resposta positiva, entrega-se definitivamente o status de protagonista.

No tocante à sistematização do trabalho, é crucial que cada caso do escritório de advocacia seja tratado como um projeto independente. O time e as funções a serem exercidas em cada novo projeto devem respeitar uma distribuição funcional coerente antes de olhar para qualquer hierarquia. É possível que um advogado menos graduado seja responsável por revisar o trabalho de um mais graduado. Em sendo assim, foca-se na habilidade do profissional de solucionar problemas específicos, aprimorando-se tal expertise e evitando a padronização cristalizada das soluções.

Tal modelo privilegia os deveres de independência e constante aprimoramento pessoal e profissional dos advogados e será tão mais efetivo quanto mais essas variáveis se desenvolverem. Ganham os advogados, estimulados em liderança, motivação e desenvolvimento individual; o escritório, que terá seu repertório em constante atualização; e o cliente, que terá múltiplos profissionais efetivamente comprometidos com o seu problema. A protagonização é, portanto, um jogo de múltiplos ganhadores.

No próximo texto serão abordados os ganhos da atuação em duplas dentro do ambiente da advocacia. Veremos como visões complementares aumentam a qualidade do trabalho realizado e do cotidiano dos advogados, sendo fundamentais para a capacitação de que tratamos aqui.

*Por Pedro Guilherme Gonçalves de Souza, Sócio responsável pelas áreas de Seguros e de Tributário de SABZ Advogados, e Renato Barichello Butzer, Sócio administrador e responsável pela área de inovação e tecnologia de SABZ Advogados.

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