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Relacionamentos Profissionais Digitais

As Armadilhas dos Relacionamentos Profissionais Digitais

Por Benedito Villela*

A tecnologia atual é uma coisa maravilhosa e possibilita a busca de grupos de interesse em tempo real sem nunca olhar na cara de outro ser humano, sem nem saber seu contato direto e ainda assim conseguir trocar diversos arquivos em todos formatos, informação atualizada em tempo real. Porém toda essa conectividade ao mesmo tempo que potencializa aproximações, otimiza distanciamentos. Explico.

Na era da informação que vivemos, o bombardeio diário de mensagens cria um mar de dados que faz com que as pessoas se relacionem cada vez mais com seus smartphones e cada vez menos entre si, o que é muito prejudicial para a carreira jurídica, além da ansiedade digital causada.

Advogados são por excelência criaturas relacionais, e nada vai substituir uma conversa próxima, mas a nova leva jurídica tem tentado surfar a onda digital e se relacionar em grupos, por meio de sites especializados como o Linkedin ou mesmo em grupos de Whatsapp e Telegram. Claro que esses métodos são válidos e importantes, mas fazem muito pouco para criar alguma distinção e individualizar cada contato. Direto alguém me procura em um evento e me pergunta você que é o Benedito? Assustador quando a identidade virtual precede a presença real.

Para mim, o Linkedin é uma excelente ferramenta de divulgação de conteúdo especializado, e sendo advogado, me parece o lugar ideal para divulgação de vagas do universo ao qual pertenço. E mesmo sendo um multiplicador, como tantos outros, quantas vezes não recebo o CV que deveria ser endereçado à uma mulher sem qualquer conexão comigo, muitas vezes errando meu nome? Centenas de vezes. Ou mesmo pedidos desesperados, sejam pessoais ou mensagens pré-formatadas? Desespero ou Preguiça? Não sei responder.

Ainda falando de Linkedin, é normal receber convites de advogados de todos os lugares, e meu critério de aceitação é razoavelmente simples: se tiver foto, contatos em comum, for do meu ramo ou conexo, a chance de aceitação é bem alta. Durante um tempo, mandava mensagens customizadas para quem me convidava, me colocando à disposição. Foram tão poucos os retornos, que desisti. Passei a fazer parte de diversos álbuns de figurinha corporativos, de contatos que nunca vão me responder a uma mensagem na grande maioria das vezes.

Por fim, o famigerado Whatsapp. Gosto de ajudar os colegas a divulgar suas vagas e oportunidades, e para isso criei uma Lista de Transmissão de Vagas Jurídicas para ajudar uma dúzia de amigos. Essa lista foi crescendo até chegar em um ponto que cada vaga compartilhada chega a travar meu smartphone, mas o retorno gentil de algumas pessoas fez com que valesse a pena o transtorno, ainda que não tenha sequer um dia que não apareça alguém desconhecido pedindo para receber as vagas. Será que é tão difícil perceber que em tempos de desmaterização dos meios, que uma mensagem, seja por email, Whatsapp ou Linkedin não é nada diferente de tocar a campainha da casa de um desconhecido ou ligar para alguém pela primeira vez? Situação onde primeiro se apresenta ao desconhecido para somente então informar o propósito do contato? Enviar um currículo a um total desconhecido é rude e invasivo e tem mínima chance de gerar qualquer resultado positivo, tanto quanto enviar um prospecto de escritório com um texto padrão. Mandar um contato estudado e pessoal vale mais do que mandar cem impessoais.

Esses são alguns pontos para reflexão. Antes de sermos digitais, precisamos voltar a ser humanos, pois não importa a mídia, e não importa o meio, a educação e a ética nunca vão desaparecer enquanto a interface prevalecer sendo feita por humanos de ponta a ponta. Especialmente no campo do Direito.

*Benedito Villela é Gestor Jurídico, Professor e Palestrante. Quer conhecer mais artigos? Acesse https://www.falandolegal.org/.

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